Por que a ayahuasca despertou tanto interesse na ciência? O que acontece no cérebro e como funciona na prática
Durante séculos, a ayahuasca foi utilizada em diferentes contextos tradicionais e religiosos da América do Sul.
Hoje, ela também está sendo estudada por pesquisadores de áreas como:
neurociência
psiquiatria
psicofarmacologia
neuroimagem
psicologia
E existe uma pergunta que despertou enorme interesse científico:
Como uma única experiência psicodélica pode estar associada a mudanças psicológicas que persistem depois que os efeitos agudos terminam?
Essa pergunta é especialmente interessante no estudo da depressão.
Porque alguns ensaios clínicos encontraram reduções rápidas de sintomas depressivos após uma única administração de ayahuasca, inclusive em pessoas com depressão resistente ao tratamento. (PubMed)
Mas existe uma diferença fundamental entre dizer:
“a ayahuasca é uma cura”
e dizer:
“a ayahuasca apresenta potencial terapêutico e está sendo investigada cientificamente.”
A segunda afirmação é a que corresponde melhor às evidências atuais.
Primeiro: o que existe dentro da ayahuasca?
A ayahuasca não é uma molécula única.
É uma preparação vegetal tradicional cuja composição pode variar.
Nas formulações mais estudadas, participam principalmente plantas como:
Banisteriopsis caapi
e
Psychotria viridis.
A primeira fornece principalmente alcaloides β-carbolínicos, enquanto a segunda pode fornecer DMT — N,N-dimetiltriptamina. (PubMed)
E essa combinação é fundamental.
Por que o DMT sozinho não funciona da mesma maneira por via oral?
Aqui está uma das partes mais fascinantes da farmacologia da ayahuasca.
O organismo possui uma enzima chamada:
monoamina oxidase — MAO.
Quando o DMT é ingerido oralmente, ele sofre metabolismo intenso, o que limita sua biodisponibilidade.
Os β-carbolínicos presentes na ayahuasca inibem principalmente a MAO-A.
Com isso, o metabolismo do DMT é reduzido.
O DMT consegue permanecer disponível por mais tempo e exercer seus efeitos.
Em outras palavras:
DMT + β-carbolínicos
produzem uma interação farmacológica que torna possível a atividade oral do DMT. (PubMed)
E o que o DMT faz no cérebro?
O DMT interage com diversos sistemas neuroquímicos.
Um dos principais alvos investigados são os receptores serotoninérgicos, especialmente:
5-HT2A.
Mas não é apenas isso.
A literatura descreve interações envolvendo diferentes sistemas, incluindo:
serotoninérgico;
glutamatérgico;
dopaminérgico;
endocanabinoide;
mecanismos relacionados à plasticidade neural.
Também existem interações com outros alvos moleculares, como sigma-1 e TAAR1, embora o significado clínico de cada mecanismo ainda esteja sendo investigado. (PubMed)
Portanto, seria simplista dizer:
“A ayahuasca funciona aumentando serotonina.”
A farmacologia é muito mais complexa.
E o que acontece com a percepção?
Quando o DMT exerce seus efeitos, a atividade cerebral sofre alterações importantes.
A pessoa pode experimentar mudanças em:
percepção visual
sensação corporal
passagem do tempo
memória
emoções
autopercepção
associação de ideias
sentido de identidade.
A experiência pode incluir imagens vívidas, lembranças autobiográficas e emoções intensas.
Mas existe uma questão importante:
essas alterações não são necessariamente o tratamento em si.
Elas fazem parte da experiência que está sendo estudada como potencialmente terapêutica.
O cérebro entra em um estado diferente
Pesquisas com neuroimagem indicam que psicodélicos podem alterar temporariamente a atividade e a conectividade de redes cerebrais.
Isso é particularmente interessante porque algumas redes estão envolvidas em:
autorreferência
memória
processamento emocional
atenção
previsão
construção da narrativa pessoal.
A ayahuasca parece modificar a dinâmica dessas redes, embora ainda não exista uma explicação única e definitiva para o efeito terapêutico. (PubMed)
E aqui aparece a Rede de Modo Padrão
Você já viu essa rede em nossa matéria sobre a mente que não para de pensar.
A Rede de Modo Padrão — Default Mode Network (DMN) participa de processos relacionados ao pensamento autorreferencial, autobiografia e construção interna de narrativas.
Ela não é simplesmente uma “rede ruim”.
É essencial para diversas funções humanas.
Mas padrões excessivamente rígidos de processamento autorreferencial têm sido estudados em diferentes condições psiquiátricas.
Os psicodélicos podem alterar temporariamente a dinâmica dessa rede e sua comunicação com outras regiões cerebrais. (PubMed)
Talvez seja aqui que esteja uma das maiores pistas
Imagine uma pessoa que passou anos repetindo mentalmente:
“Eu não consigo.”
“Nada vai mudar.”
“Eu sou assim.”
“Minha vida sempre será desse jeito.”
Esses pensamentos podem se tornar extremamente familiares.
A mente passa a operar dentro de determinados padrões.
Uma hipótese estudada na terapia psicodélica é que a experiência possa produzir um período de maior flexibilidade cognitiva e alteração dos padrões habituais de processamento.
Isso não significa apagar memórias.
Não significa reprogramar o cérebro magicamente.
Significa que os padrões habituais podem, temporariamente, tornar-se menos rígidos.
O conceito de flexibilidade psicológica
Esse conceito é importante.
Uma mente psicologicamente flexível consegue:
observar uma emoção sem ser completamente dominada por ela;
considerar diferentes interpretações;
mudar estratégias;
aceitar experiências internas difíceis;
agir de acordo com valores mesmo diante de desconforto.
Algumas pesquisas associam a experiência psicodélica a mudanças em aspectos de flexibilidade psicológica, embora ainda seja necessário determinar quanto disso é diretamente causado pela substância, pela experiência subjetiva ou pelo contexto terapêutico. (PubMed)
E a neuroplasticidade?
Essa é provavelmente uma das palavras mais utilizadas quando se fala sobre psicodélicos.
Mas precisamos entender o que ela significa.
Neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de modificar suas conexões e funcionamento em resposta à experiência, aprendizagem e outros estímulos.
Estudos pré-clínicos e clínicos sugerem que componentes da ayahuasca podem estar relacionados a mecanismos neuroplásticos.
Entre as hipóteses estão alterações envolvendo:
BDNF
sinalização glutamatérgica
receptores serotoninérgicos
plasticidade sináptica.
Mas atenção:
evidência de neuroplasticidade não significa automaticamente melhora clínica.
Uma coisa precisa ser demonstrada em estudos clínicos.
Outra é demonstrar o mecanismo responsável por essa melhora.
Então não é simplesmente “o cérebro criando neurônios”
Esse é um erro muito comum.
Neuroplasticidade não significa necessariamente:
“nasceram milhões de neurônios novos.”
Pode envolver:
modificação da força das sinapses;
mudanças na conectividade;
alteração da comunicação entre redes;
adaptação funcional;
aprendizagem.
Portanto, quando falamos em possível neuroplasticidade relacionada aos psicodélicos, estamos falando de mudanças na capacidade do cérebro de reorganizar seu funcionamento, e não simplesmente de produzir novos neurônios.
Mas então por que a experiência é tão intensa?
Porque não estamos falando apenas de uma alteração farmacológica isolada.
Existe uma interação entre:
substância
cérebro
estado psicológico
ambiente
expectativas
significado atribuído à experiência.
Essa combinação é fundamental para compreender a pesquisa psicodélica.
Set and setting
Na ciência psicodélica existe uma expressão muito conhecida:
set and setting.
Set
É o estado interno da pessoa:
expectativas;
emoções;
intenção;
história pessoal;
estado psicológico.
Setting
É o contexto:
ambiente;
pessoas presentes;
sensação de segurança;
suporte;
contexto cultural.
Isso ajuda a explicar por que experiências psicodélicas não podem ser compreendidas apenas pela farmacologia.
A mesma substância pode produzir experiências muito diferentes dependendo da pessoa e do contexto.
Como isso funciona “na prática”?
Aqui precisamos separar duas coisas.
Uso tradicional/religioso
A ayahuasca pode ser utilizada dentro de cerimônias e tradições específicas, com elementos culturais e espirituais próprios.
Pesquisa clínica
O cenário é diferente.
A pessoa é avaliada previamente.
São considerados critérios de inclusão e exclusão.
São avaliados fatores como:
histórico psiquiátrico;
condições médicas;
medicamentos;
risco cardiovascular;
histórico de mania ou psicose;
uso de substâncias;
possíveis interações medicamentosas.
A administração ocorre dentro de um protocolo de pesquisa e existe acompanhamento.
Essa diferença é fundamental.
Como seria uma intervenção psicodélica estudada pela ciência?
De forma simplificada, podemos pensar em etapas.
1. Avaliação
Antes de qualquer intervenção, o participante passa por avaliação.
O objetivo é verificar:
quem pode participar
e
quem não deve participar.
2. Preparação
A pessoa recebe informações sobre a experiência.
Pode conversar sobre:
expectativas;
possíveis efeitos;
emoções;
segurança;
estratégias para lidar com experiências difíceis.
Essa preparação não é um detalhe.
Ela faz parte do modelo terapêutico investigado.
3. A sessão
Durante a sessão experimental, a pessoa permanece em um ambiente controlado.
Profissionais treinados acompanham o participante.
A experiência pode durar algumas horas, dependendo da preparação e do protocolo.
A pessoa pode vivenciar:
alterações perceptivas
emoções intensas
memórias
sensações corporais
mudanças na percepção de si
experiências de significado pessoal.
4. O ponto não é controlar a experiência
Uma diferença importante entre uma sessão psicodélica e uma simples tentativa de “ficar feliz” é que a experiência pode incluir conteúdos difíceis.
Podem surgir:
medo
tristeza
memórias
conflitos
sensações físicas desconfortáveis.
A proposta clínica não é necessariamente eliminar tudo isso.
É permitir que a experiência seja observada e atravessada dentro de um contexto seguro.
5. Depois da experiência vem uma etapa extremamente importante
Imagine que uma pessoa teve uma experiência emocionalmente intensa.
Ela volta para casa.
E nada muda em sua rotina.
Os antigos padrões continuam.
Por isso, existe grande interesse na chamada:
integração.
A integração consiste em ajudar a pessoa a refletir sobre o que aconteceu e, principalmente, sobre como transformar qualquer insight ou aprendizado em mudanças concretas na vida cotidiana.
A experiência não é necessariamente a mudança
Essa distinção é muito importante.
Podemos imaginar:
experiência
↓
reflexão
↓
integração
↓
aprendizagem
↓
mudança comportamental
O potencial terapêutico pode estar justamente nessa sequência.
Um exemplo
Imagine uma pessoa que percebe durante uma experiência:
“Passei anos acreditando que precisava controlar tudo.”
Depois da experiência, essa percepção não resolve automaticamente sua vida.
Mas ela pode começar a observar:
quando tento controlar?
o que estou tentando evitar sentir?
o que posso fazer de maneira diferente?
A experiência pode abrir uma pergunta.
A integração transforma essa pergunta em investigação.
E a prática cotidiana pode transformar a investigação em mudança.
E é aqui que psicoterapia pode ganhar importância
Uma hipótese cada vez mais estudada é que psicodélicos possam funcionar melhor dentro de um modelo que combine:
experiência psicodélica
suporte psicológico
integração.
Não significa que todo protocolo seja igual.
E ainda existem diferentes modelos sendo estudados.
Mas a ideia de que a substância isolada explica todo o resultado é provavelmente simplista.
Por que algumas pessoas relatam mudanças profundas?
Existem várias hipóteses.
Uma delas é que a experiência pode produzir uma espécie de interrupção temporária de padrões cognitivos muito repetitivos.
Outra envolve:
processamento emocional.
Outra:
autocompaixão e autoaceitação.
Outra:
flexibilidade psicológica.
E outra:
reorganização da dinâmica cerebral.
Provavelmente não existe apenas um mecanismo.
E isso explica por que a ayahuasca não é simplesmente um antidepressivo comum
Um antidepressivo convencional e um psicodélico não funcionam necessariamente da mesma maneira.
Um tratamento convencional pode exigir administração repetida e produzir mudanças graduais.
Algumas intervenções psicodélicas estão sendo estudadas justamente pela possibilidade de produzir efeitos clínicos após uma ou poucas administrações, acompanhadas de suporte psicológico.
No caso da ayahuasca, estudos clínicos encontraram sinais de efeito antidepressivo rápido, mas a base de evidências ainda é pequena. (PubMed)
E quanto à ansiedade?
A pesquisa também investiga possíveis efeitos sobre sintomas ansiosos.
Mas aqui precisamos evitar uma generalização.
Não podemos dizer:
“Ayahuasca trata ansiedade.”
A evidência varia conforme o transtorno, o desenho do estudo e a população.
A maior parte da pesquisa clínica mais consistente ainda está concentrada em depressão e transtornos relacionados, enquanto outras aplicações permanecem mais preliminares. (PubMed)
E dependência química?
Esse é outro campo de pesquisa interessante.
Estudos observacionais e revisões têm encontrado associações entre uso de ayahuasca e mudanças em padrões relacionados ao uso de substâncias.
Mas novamente:
associação não é prova de eficácia terapêutica.
Ensaios clínicos controlados ainda são necessários para estabelecer causalidade e definir protocolos.
O que a ciência já consegue dizer?
Hoje podemos afirmar com segurança que:
1. A ayahuasca possui uma farmacologia complexa.
2. O DMT é um de seus principais componentes psicoativos.
3. Os β-carbolínicos permitem a atividade oral do DMT por meio da inibição da MAO-A. (PubMed)
4. O DMT altera sistemas serotoninérgicos e a dinâmica cerebral. (PubMed)
5. Estudos clínicos encontraram sinais promissores de efeito antidepressivo rápido. (PubMed)
6. Existem hipóteses envolvendo neuroplasticidade e reorganização de redes cerebrais. (PubMed)
7. Ainda são necessários estudos maiores e mais padronizados. (PubMed)
E o que a ciência ainda não sabe?
Ainda não sabemos com precisão:
quem responderá melhor;
qual é a dose ideal;
qual a frequência ideal;
quanto tempo duram os efeitos;
quais componentes da experiência são essenciais;
qual é o papel exato da psicoterapia;
quais mecanismos explicam a melhora;
quais são os riscos de longo prazo em diferentes populações.
Uma revisão sistemática publicada em 2026 encontrou resultados promissores em diferentes desfechos de saúde mental, mas também destacou limitações frequentes, como amostras pequenas, doses não padronizadas, ausência de grupos-controle e desenhos não randomizados. (PubMed)
Existe um ponto que não pode ser ignorado: segurança
O fato de uma substância ser natural não significa que seja automaticamente segura.
A ayahuasca pode produzir:
náuseas;
vômitos;
aumento transitório da frequência cardíaca e pressão;
alterações perceptivas intensas;
ansiedade ou medo durante a experiência.
Além disso, a presença de inibidores da MAO-A torna interações com medicamentos uma questão importante.
Por isso, pessoas que utilizam antidepressivos ou outros psicofármacos não devem interromper ou modificar seu tratamento por conta própria para consumir ayahuasca.
E existe uma população que exige atenção especial
Pessoas com histórico de:
mania
hipomania
psicose
ou determinadas condições cardiovasculares
podem apresentar riscos específicos.
Por isso, a avaliação individual é indispensável.
Uma intervenção que pode ser investigada em um grupo selecionado de adultos saudáveis não deve ser automaticamente aplicada a qualquer pessoa com sofrimento emocional.
A grande mudança de perspectiva
Talvez a contribuição mais interessante da pesquisa com ayahuasca não seja simplesmente descobrir uma nova substância.
Pode ser descobrir uma nova forma de pensar sobre tratamento.
Em vez de:
“qual substância falta no cérebro?”
podemos perguntar:
“como podemos modificar temporariamente a dinâmica cerebral para criar uma oportunidade de aprendizagem e mudança?”
Essa é uma pergunta muito mais ampla.
O cérebro como sistema adaptativo
O cérebro não é uma estrutura estática.
Ele está continuamente:
aprendendo
prevendo
adaptando
reorganizando
criando associações.
A experiência psicodélica pode representar, segundo uma das hipóteses atuais, uma janela temporária de maior flexibilidade.
Mas essa janela, sozinha, não garante mudança permanente.
O que acontece depois pode ser tão importante quanto o que acontece durante.
A metáfora da janela
Imagine uma janela que se abre.
Durante algum tempo, você consegue enxergar possibilidades que antes não percebia.
Mas abrir a janela não muda automaticamente a casa.
É preciso:
olhar
compreender
escolher
agir
repetir novos comportamentos.
Essa metáfora ajuda a entender uma das hipóteses sobre psicoterapia psicodélica:
a experiência pode abrir uma janela; a integração pode ajudar a transformar essa abertura em aprendizagem.
Então, por que a ayahuasca despertou tanto interesse científico?
Porque ela reúne várias características que desafiam o modelo tradicional de tratamento:
efeitos psicológicos profundos
ação rápida em alguns estudos
alterações mensuráveis na atividade cerebral
possíveis mecanismos de neuroplasticidade
mudanças na flexibilidade cognitiva
potencial para modificar padrões emocionais rígidos.
Mas justamente por ser tão poderosa, precisa ser estudada com mais rigor, e não com menos.
O futuro da pesquisa
A área está amadurecendo.
Uma revisão publicada em 2026 identificou 26 registros de ensaios clínicos envolvendo ayahuasca, DMT ou combinações relacionadas, mostrando que a pesquisa clínica está crescendo, embora grande parte ainda esteja concentrada em fases iniciais e em segurança, tolerabilidade e mecanismos. (PubMed)
Isso significa que estamos diante de uma área científica em desenvolvimento.
Não é mais apenas uma curiosidade.
Mas também ainda não é uma terapia psiquiátrica estabelecida para uso amplo.
Para guardar
A ayahuasca desperta interesse científico não porque seja simplesmente uma “planta que cura a mente”.
O interesse está na combinação de:
farmacologia
neuroplasticidade
alteração da dinâmica cerebral
experiência subjetiva
processamento emocional
possível aumento da flexibilidade psicológica.
O DMT altera profundamente a experiência consciente, enquanto os β-carbolínicos permitem sua atividade por via oral e podem contribuir para a complexidade farmacológica da preparação. (PubMed)
Os primeiros estudos clínicos, especialmente em depressão, são promissores.
Mas a ciência ainda está respondendo às perguntas mais importantes.
Por isso, talvez a frase mais adequada para resumir tudo seja:
A ayahuasca não deve ser vista como uma cura milagrosa, mas como uma intervenção psicodélica promissora que pode abrir uma janela para mudanças neurobiológicas e psicológicas — e que ainda precisa ser compreendida com muito mais profundidade.
E talvez essa seja justamente a parte mais fascinante:
a experiência termina em algumas horas.
Mas o que o cérebro aprende com ela pode continuar sendo investigado por muito mais tempo.
⚠️ IMPORTANTE
Esta matéria possui finalidade educativa e não constitui recomendação para uso de ayahuasca como tratamento.
A pesquisa clínica com ayahuasca ainda está em desenvolvimento e não justifica que a substância seja apresentada como substituta de antidepressivos, psicoterapia ou outros tratamentos estabelecidos.
Não interrompa medicamentos por conta própria para utilizar ayahuasca. A presença de β-carbolínicos com atividade de MAO-A torna particularmente importante avaliar possíveis interações medicamentosas. Pessoas com determinadas condições psiquiátricas ou cardiovasculares também podem apresentar riscos específicos.
Em caso de depressão grave, ideação suicida ou risco de autoagressão, procure atendimento profissional imediatamente.
Referências científicas principais
Revisão de 2026 sobre ayahuasca/DMT, mecanismos de ação e estudos clínicos em transtornos mentais. (PubMed)
Revisão sobre ayahuasca e tratamento da depressão. (PubMed)
Revisão neurobiológica sobre DMT e sua interação com os β-carbolínicos da ayahuasca. (PubMed)
Revisão sistemática prospectiva de 2026 sobre efeitos de longo prazo da ayahuasca na saúde mental. (PubMed)
Revisão sobre mecanismos moleculares e potencial antidepressivo da ayahuasca. (PubMed)
Mapeamento de ensaios clínicos registrados de ayahuasca e DMT, publicado em 2026. (PubMed)

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